Dia internacional da Mulher

Um marco histórico de reconhecimento de desigualdades, lutas e conquistas sociais


RESUMO


Mesmo sempre presente em número significativo na história da humanidade, a figura feminina permaneceu durante muitos séculos praticamente no anonimato, limitada pela sociedade patriarcal quase que exclusivamente ao papel de, circunstância que lhe vedou a possiblidade de participação atuante na construção do mundo, como conhecemos hoje, pelo menos até há poucas décadas, quando, com o apoio de movimentos contrários à exploração de mão de obra e ao preconceito de gênero, a mulher passou a assumir papel de maior protagonismo na evolução da humanidade.


O presente artigo objetiva discorrer sobre as lutas e conquistas alcançadas pela classe feminina, mais expressivas sobretudo a partir do século XX, e sobre os desafios e obstáculos que ainda se mostram presentes para a construção de uma sociedade mais igualitária para todos os indivíduos.


Palavras-Chave: Mulher, Preconceito, Sociedade, Patriarcal.


ABSTRACT


Although always present in significant numbers in the history of humanity, the female figure remained practically anonymous for many centuries, limited by patriarchal society almost exclusively to the role of mother, a circumstance that prevented her from participating actively in the construction of the world, as we know it today, at least until a few decades ago, when, with the support of movements against the exploitation of labor and gender prejudice, women began to assume a leading role in the evolution of humanity.


This article aims to discuss the struggles and achievements achieved by the female class, more expressive especially from the 20th century, and the challenges and obstacles that are still present in the construction of a more egalitarian society for all individuals.

Key words: Women, Preconception, Society, Patriarchal

O dia 8 de março não deve ser visto atualmente apenas como mais uma data comemorativa em nosso calendário. Trata-se, na verdade, de uma oportunidade de reflexão, a cada ano, acerca da necessidade contínua de avaliação, reconhecimento e transformação da capacidade do ser humano de identificar e aceitar os papéis que necessitam ser prestigiados e desempenhados por cada indivíduo para que seja alcançado aquele que deve ser, indiscutivelmente, o objetivo principal de cada sociedade: o bem comum.


É exatamente sob essa perspectiva que todas as relações sociais e institucionais devem ser pensadas, já que, diante da tão exaustivamente falada e debatida globalização, os impactos de más práticas e políticas acabam penalizando o todo, e não somente as partes geradoras das divergências.


Assim, com foco na idealização de cenários mais promissores, tanto sob o ponto de vista social, como também econômico e político, não há mais espaço no mundo para condutas radicais e preconceituosas de nenhuma espécie, as quais já causaram – e ainda causam – tantas privações, sofrimentos, prejuízos e, sobretudo, estagnação à evolução da humanidade.


Nesse contexto, com um simples olhar em direção ao passado, pode-se deduzir o quanto foi perdido diante da inferiorização do papel da mulher na sociedade, o que, somado aos inúmeros conflitos de natureza imperialista, vivenciados principalmente até o início do século XX, parece ter contribuído significativamente para os períodos de subdesenvolvimento e retrocesso atravessados ao longo da história.


Isso porque ao subestimar a capacidade das mulheres para o exercício de atividades de maior relevância e complexidade, em condição de igualdade com os homens, a sociedade privou-se da utilização de importante mão de obra que, certamente, teria contribuído para a aceleração das conquistas que viriam a transformar o mundo.


É inevitável refletir, por exemplo, sobre como o desenvolvimento de pesquisas científicas e o aperfeiçoamento dos processos e meios de produção, voltados principalmente para a melhoria da qualidade de vida da população, tenham se dado em “marcha” relativamente lenta no período em que a figura feminina era limitada basicamente à reprodução, amamentação e à criação dos filhos, especialmente se compararmos com os grandes avanços presenciados a partir do século XIX, quando a mulher passou a ser admitida no mercado de trabalho, com a Revolução Industrial.


Percebe-se, portanto, que a partir do momento em que foi permitido o desempenho pelas mulheres de papéis de maior responsabilidade, tanto no âmbito familiar e acadêmico, como também no mercado de trabalho, os avanços alcançados em todos os segmentos da sociedade tornaram-se mais evidentes.


No entanto, apesar do notório avanço, é importante lembrar que foram necessárias intensas lutas para que tal espaço fosse conquistado, muitas vezes banhadas com sangue e suor, como nos conta a História. Tais lutas não podem ser esquecidas, especialmente porque ainda há muitas batalhas a serem travadas diariamente, tendo em vista que permanecem em muitos países as heranças do sistema patriarcal que dominou praticamente durante toda a história da humanidade.


Tais posicionamentos, nitidamente retrógrados, criam obstáculos ao reconhecimento das inovações trazidas pelo progresso e pela evolução do pensamento humano, e que possuem o condão de transformar o mundo em um ambiente que reconheça e respeite as diferenças entre cada indivíduo, proporcionando a todos condições igualitárias de crescimento e desenvolvimento, independentemente de orientação política, de opinião, religiosa, de raça e/ou gênero.


É verdade que, embora os números e dados estatísticos apontem que as mulheres já são maioria em muitos países do mundo, inclusive no Brasil (em 2019, mais de 52%), na prática, por acumularem, em diversas situações, os papéis de dona de casa, mãe e trabalhadora, também chefe de família, o mercado de trabalho ainda absorve preferencialmente a mão de obra masculina, que também acaba percebendo salários maiores, mesmo que, para muitas posições, disputadas também por mulheres, estas apresentem melhor qualificação e formação acadêmica.


Esse posicionamento foi também confirmado no Brasil, através de levantamentos divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), segundo os quais cerca de 54,5% das mulheres com 15 anos ou mais integravam a força de trabalho no país em 2019, sendo que, entre os homens, o percentual, para o mesmo período avaliado, chegava a 73,7%.


Ainda assim, mesmo que os dados estatísticos possam indicar que o preconceito de gênero ainda limita o acesso das mulheres ao mercado de trabalho, nas mesmas condições oferecidas aos homens, há que se reconhecer que, na atualidade, a luta do público feminino para a conquista de condições mais justas na sociedade e, em especial, no mercado de trabalho, conta com poderosos aliados.


Destaca-se que, diante das inegáveis conquistas obtidas nas últimas décadas, mesmo ainda havendo muito a ser feito, é possível identificar que a presença antes secundária da mulher na sociedade, na atualidade cedeu espaço a um protagonismo mais marcante, pelo qual a figura feminina passou a assumir postos de trabalho com cargos variados, inclusive operacionais, em empresas e estruturas hierárquicas nas quais suas habilidades e talentos específicos efetivamente passaram a ser reconhecidos como preponderantes para o desempenho com êxito de praticamente todas as funções.


Pode-se inferir que foi a partir da Segunda Guerra Mundial que se passou a reconhecer a importância da resistência das mulheres à exploração de sua mão de obra e às péssimas condições às quais eram submetidas quando inseridas no mercado de trabalho, o que deu origem à sua luta por condições mais justas de labor e de remuneração. Com isso, aos poucos, o dia 8 de março se transformou na principal data de celebração e reconhecimento dos méritos da classe feminina, sendo então oficializado pela ONU em 1975.


Com o reconhecimento internacional de sua causa e a continuidade das batalhas, a participação das mulheres na sociedade aumentou significativamente, especialmente no mundo corporativo, onde já se destacam em cargos estratégicos e de liderança, inclusive em empresas de renome, tanto no mercado mundial, como no Brasil.


Mas não apenas nas funções administrativas se observa uma maior participação feminina. Não é incomum nos dias atuais encontrarmos mulheres exercendo atividades operacionais, como as desenvolvidas nos segmentos da construção civil, de petróleo e gás e também na área de mineração. São mulheres que atuam nas áreas de saúde, de segurança do trabalho e de tecnologia da informação, e também nas frentes de serviços, em canteiros de obras, realizando soldagem, rotinas de terraplanagem e, até mesmo, operando veículos e equipamentos pesados de transporte, como caminhões, escavadeiras e motoniveladoras.


Merece também destaque o fato de que o incentivo às instituições privadas e públicas para o preenchimento de vagas com profissionais do sexo feminino, vem ganhando destaque no cenário político e já figura como prática em processos de seleção de grandes empresas, cabendo destacar que no Brasil se encontra em trâmite na Câmara dos Deputados Projeto de Lei que prevê a fixação de cota para mulheres em concursos voltados para a área de segurança pública.


Desta forma, é inegável a expansão da participação feminina no cenário atual, indicando uma tendência já consolidada para as próximas décadas, mesmo que ainda existam muitas barreiras a serem transpostas para que a mulher atue de forma irrestrita no mercado de trabalho e em condições de igualdade em todos os segmentos.

E nesse sentido, mostra-se ainda mais necessária a continuidade de todas as atitudes de reconhecimento e de apoio à defesa dos interesses da classe, no intuito de se combater o preconceito de gênero, ainda forte em muitos países, e assegurar a elevação da sociedade, como um todo, a patamares justos e de equilíbrio entre todos os indivíduos.


Até porque, muitos passos ainda precisam ser dados para que haja a tão necessária quebra de paradigma e consequente ruptura da humanidade com pensamentos e condutas segregadoras, de qualquer natureza, único caminho que pode possibilitar condições igualitárias de convivência e sobrevivência a todos os cidadãos e assim, a construção de um mundo mais evoluído para toda coletividade.


Este artigo é de autoria de Regina Célia Mattoso Carneiro, advogada da FFA Legal, escritório especializado no atendimento jurídico, contábil-fiscal e administrativo a empresas do setor mineral, e direcionado a seus clientes e parceiros.


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